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    Comunidade de Aprendizagem sobre o Curta na Escola

    É inegável a necessidade de integrar diferentes linguagens nas aulas em todos os níveis de ensino. Nesse contexto, filmes são recursos que mais facilmente são incorporados à rotina escolar. No entanto, faz-se necessária a reflexão: que estamos fazendo com eles?

     

    O mais importante é incorporar novas ferramentas na prática pedagógica com clareza de objetivos. Ainda fazemos uma enorme confusão entre o que é  informação e o que é conhecimento. Informações são dados disponíveis. Conhecimento é mais que isso. Conhecer envolve buscar, selecionar, comparar, destacar o que é mais significativo. Assim, somente a prática pedagógica acompanhada da reflexão e construção de conhecimento traz novas perspectivas aos processos educativos. Com essa intenção, nasceu  a Comunidade de Aprendizagem sobre o Curta na Escola, promovendo a interação, debate, o registro e a construção do conhecimento sobre a utilização de curtas na educação
     

    Como participar Comunidade de Aprendizagem sobre o Curta na Escola:

     

    • Cadastre-se como professor em www.curtanaescola.com.br
    • Participe do Fórum Curta na Escola regularmente
    • Envie, até outubro de 2007, ao menos um relato de experiência pedagógica utilizando um curta disponível no Porta Curtas.

    Certificado:

    Os professores participantes receberão ao final de 2007 um Certificado de Participação na Comunidade de Aprendizagem Curta na Escola;

    Prêmio

    O melhor relato de experiência sobre o uso de cada filme sera selecionado para publicação no site. Os professores-autores dos relatos selecionados farão jus a um prêmio de R$ 500,00 (quinhentos reais) por relato publicado.

    Esperamos promover uma verdadeira comunidade de aprendizagem sobre o tema!

       Eliane Candida Pereira
      Coordenação Pedagógica do Projeto Curta na Escola

    Pesquisas escolares, Projetos Colaborativos e o uso de novas tecnologias na educação

    Época de planejamento. É importante avaliar o que já foi realizado para vislumbrar quais caminhos podem ser trilhados. Incorporar  novas tecnologias e ferramentas de comunicação na educação significa bem mais do que disponibilizar acesso à Internet, ensinar a usar um processador de texto e encorajar os alunos a trocarem mensagens virtuais. É preciso educar para a informação. Nesse sentido, Projetos Colaborativos em pesquisas escolares são um caminho para ampliação e integração de diferentes objetivos de aprendizagem frente à nova realidade em que a escola se insere.

    Antes de tudo é preciso que o professor defina, com o grupo, um foco para o trabalho. Pesquisas partem de indagações, é preciso lembrar sempre... Cada grupo trabalha com uma pergunta ou rol de perguntas, garantindo seu foco de busca e seleção de informações durante a sua pesquisa.

    Parte-se, então, para a busca e seleção das informações. Cabe ressaltar que os procedimentos de busca, seleção, comparação, reflexão e síntese devem ser objetivos de aprendizagem, sendo papel primordial do educador, como mediador da informação que é, propor experiências e criar situações que promovam esse desenvolvimento. . É importante trabalhar com o aluno o questionamento das informações coletadas em diferentes  fontes, sejam elas impressas em livros ou periódicos, disponíveis em multimídia, ou ainda compartilhadas por fontes vivas, comparando-as e refletindo sobre as mesmas, contribuindo assim para a construção de um leitor crítico e reflexivo.

    Durante o processo, deve-se garantir a circulação de informações entre os componentes de um grupo e entre grupos; um registro que viabilize a avaliação mediadora e por fim, a comunicação e divulgação dos produtos.

    Existem hoje disponíveis na Internet inúmeras ferramentas e serviços gratuitos, criados originalmente para outros fins, que podem contribuir para o desenvolvimento dessas etapas de um Projeto Colaborativo em pesquisa escolar:

    Ferramentas de comunicação síncrona entre duas ou mais pessoas (tais como MSN, Skype) permitem a troca de dados e diferentes tipos de interação via bate-papo, audioconferência, videoconferência, quadro de comunicações e compartilhamento, para realizar uma determinada apresentação ou promover o estudo e trabalho junto aos alunos em tempo real.

    Ferramentas assíncronas garantem também o acesso às informações e a reflexão,  bem como o registro do processo e dos produtos finais dos grupos, tais como:

    Grupos de discussão: possibilitam a troca de mensagens por email; arquivo de mensagens

    e compartilhamento dos arquivos, criação de agenda para o grupo e o desenvolvimento de enquetes.

    Fóruns: que podem ser livres ou dirigidos, permanentes ou com tempo determinado

    Mapas conceituais: permitem aos alunos construir sua representação mental, na medida em que destacam, tanto dos textos lidos como de seu repertório de informações, idéias em conexão.

    Blogs, Videologs, Fotologs: permitem a possibilidade de publicar  idéias durante o processo de construção, individual ou do grupo, dos trabalhos em equipe, anotações de aula, discussão e elaboração do projeto, em textos,  fotos, arquivos de áudio e vídeo. Permitem ainda inserção de comentários sobre as publicações; bem como a organização de conteúdos e dos comentários recebidos.

    Podcasts: possibilitam a publicação sobre determinado tema como se fosse um programa de rádio e outras formas de comunicação em áudio.

    Wikis: possibilitam a descentralização da edição de uma página, permitindo que todos sejam co-autores da produção.

    É possível também criar um ambiente de aprendizagem para a escola por meio de plataformas gratuitas como o Moodle, conjugando a maior parte dessas ferramentas. Universidades e outras instituições educacionais vêm adotando esse software gratuito, desenhado para facilitar a vida dos educadores.

    Enfim, essas são apenas algumas das possibilidades disponíveis para promover o registro, a socialização, a interação, debate e a construção do conhecimento. Há outras, com certeza. Conheça  e compartilhe experiências.

    O mais importante é incorporar novas ferramentas na prática pedagógica com clareza de objetivos. Ainda fazemos uma enorme confusão entre o que é  informação e o que é conhecimento. Informações são dados disponíveis. Conhecimento é mais que isso. Conhecer envolve buscar, selecionar, comparar, destacar o que é mais significativo (com a observação de que só posso comparar se tiver acesso às diferentes fontes...). Conhecer é ser assertivo, integrando  e dando novo tom a um dado... É isso que a escola precisa ensinar a fazer, diante de qualquer fonte informacional. Como? Ensinando de fato a pesquisar, promovendo o acesso sistemático e mediado à diversidade de informações, viabilizando debates e reflexões por meio de questões desafiantes...

     

    Eliane Candida Pereira 

    O desafio de ser educador hoje

    Sociedade da informação, uso de novas tecnologias, trabalho com projetos... Nesse contexto, como não cair na tentação de apenas trocar a máscara do discurso, adotar novas técnicas  e continuar atendendo às exigências neoliberais da sociedade,  como por exemplo, preparar alunos para vestibulares?

     

    Nosso contexto exige do educador  conhecimentos que vão além daqueles de sua área específica, revendo constantemente sua prática pedagógica, mudando e avaliando-se.

     

    Cabe ressaltar que nem sempre o professor consegue buscar esse conhecimento  em condições dignas de trabalho, com redução significativa da carga horária semanal em sala de aula e com melhorias salariais...

     

    Assim, uma das poucas certezas que tenho é que não haverá ensino de qualidade, nem reformas educativas, nem inovações pedagógicas que substituam uma adequada formação continuada de professores. Não a formação de massa de cursos e mais cursos, palestras e mais palestras. Não é possível vender pacotes de formação técnica para uma atuação profissional eficaz de educadores Acredito na reflexão sobre a prática desenvolvida com seus pares.Acredito no que preconiza Schon (1992),  acrescentando que devemos tecer a dialética entre o "conhecimento na ação", reflexão na ação","reflexão sobre a ação", e "reflexão sobre a reflexão na ação", visando a  progressão continuada do profissional de forma pessoal...

     

    De fato, são poucas as certezas, porque o. resto temos que construir a medida em que caminhamos. É esse é um dos principais desafios de ser educador: debruçar-se cuidadosamente sobre o que faz, como faz, porque faz; antes, durante e depois que faz...

     

    Onde há reflexão há incerteza (Dewey - 1953)

     

    Eliane Candida Pereira  

     

     

     Referências:

    DEWEY, John. Como Pensamos. 2ª ed. São Paulo: Ed. Nacional, 1953.

    SCHON, Donald. Formar Professores Como Profissionais Reflexivos. In: Nóvoa, Antonio. Os Professores e a Sua Formação. Lisboa: Dom Quixote, 1995.

    Ensinar Ética

    Acabo de assistir O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener, Estados Unidos/Inglaterra, 2005), dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles. O filme discute a ética de pesquisas médicas e  indústria farmacêutica em seres humanos . Saí do cinema pensando que, como em uma onda de sincronicidade junguiana, a reflexão sobre questões éticas saltam, das telas e dos papéis, à minha frente: nosso cenário político (que aliás, não é de hoje), argumentos sobre o posicionamento no Referendo, futebol... Nada escapa na vida real.

    Ensinar ética?

    A reflexão sobre a ética na escola passa por caminhos tortuosos... Quando se têm na pauta pedagógica “ os valores” de um grupo social pisa-se em campo minado e para não cair no moralismo, muitos professores optam por acabar ignorando o conteúdo... Ou confunde-se o trabalho sobre ética com apresentação de convenções sociais sobre “bons modos”. Implicitamente, é como se, nós, educadores, admitíssemos que existem “éticas” diferentes (?!)...

    Fernando Savater, em O valor de Educar (2000), diz que “(...) não é certo que pluralismo democrático significa que cada um possa ter sua ética e que todas tenham o mesmo valor. O que cada um tem é sua consciência moral, esta sim, pessoal e intransferível” (p.92)

    Na prática, falta-nos esse discernimento porque também somos fruto de um processo sócio-cultural. Quando vamos deixar de confundir o público e o privado, o social do individual, o objetivo do subjetivo e assim, deixando a zona de conflito ( ou será de conforto?), vamos trabalhar, de fato, com essas questões como conteúdos do processo ensino aprendizagem?

    Quem sabe quando nos apropriarmos do fato de que a reflexão sobre os valores é, por si mesma, conteúdo a ser desenvolvido na escola, informando e formando nossos alunos para um debate crítico... Quem sabe quando essa idéia, que não é minha, nem nova, finalmente, também saltar das telas e dos papéis para a vida real...

    Eliane Candida Pereira   

    Ler, em, e com, todos os sentidos

    Estive em equipe  preparando uma formação de professores para o trabalho com leitura e por isso me peguei às voltas com a reflexão sobre porque os brasileiros, segundo as estatísticas, lêem pouco... Por que não avançamos? Faltam livros? Falta acesso? E as campanhas do MEC? E o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola  http://portal.mec.gov.br/seb/index.php?option=content&task=view&id=371 )? E  a Rede Escolar de Bibliotecas Interativas  onde trabalho? O que falta para que a escola contribua, de fato, para a mudança das estatísticas?

    Em nossa busca encontramos trabalhos interessantes sobre o tema, destacando-se o trabalho sobre Memória de Leitura, de Marisa Lajolo, professora da UNICAMP ( http://www.unicamp.br/iel/memoria/index.htm ). O que li, teoricamente,  seria suficiente para responder-me minhas indagações, mas ainda assim, passei dias com aquela interrogação que, quando menos se espera, nos faz franzir a testa.

    Como em uma pesquisa-participante, acabei fazendo um exercício de resgate pessoal, de ontogênese para explicar a filogênese da nossa situação. Tentei resgatar qual a leitura que mais marcou a minha vida. Que gosto, que cheiro, que cores tinha? Sim, porque a memória carrega consigo todos os sentidos... Sentido, sentir, sentimento...

    Ainda sobre essa leitura que me marcou, esforcei-me um pouco mais:  como cheguei até ela? Que caminhos percorri? Quem me guiou? Sim, porque em nosso percurso de formação há sempre uma referência, um mediador, um interlocutor... Sentido, sentir, sentimento compartilhado...

    Constatei, assim,o que a leitura da teoria também havia me contado: que  na vida de um leitor,há, em algum ponto do caminho, alguém que o influenciou emocional e intelectualmente.

    Então é isso! O óbvio: ler é mais que um ato cognitivo; é um ato que envolve mais que olhos e tato! É preciso ter clareza disso para poder ensinar:  leitor não se constrói por hábito, porque leitura implica em desejo, em relação, em prazer.

    As respostas às minhas indagações foram além do que “li com os olhos”, porque se misturaram ao que sabia e ao que sinto. Isso é ler, em, e com, todos os sentidos.

     

    Eliane Candida Pereira   

    Conversas sobre Leitura, Informação e Práticas da Rede Escolar de Bibliotecas Interativas

    Ao ouvir crianças de 8, 9 anos explicando com propriedade o percurso utilizado até chegar ao produto de um projeto desenvolvido na escola a partir da, ou em parceria com , a Biblioteca Escolar Interativa, ficamos pensando que valeram todos os esforços.É claro, que chorona como sou, me emocionei com algumas crianças... No II CLIP REBI  (Conversas sobre Leitura, Informação e Práticas da Rede Escolar de Bibliotecas Interativas, dias 22,23 e 24 de setembro de 2005, São Bernardo do Campo/SP), além da apresentação de trabalhos pelas crianças nos espaços temáticos e na agenda cultural, tivemos uma programação voltada à reflexão de mediadores da informação (professores ou bibliotecários). Faço  alguns destaques nessa reflexão: uma conversa com o bibliófilo José Mindlin sobre a leitura e a formação de sujeitos (91 anos de intensa lucidez!) e  um violeiro e contador de causo chamado Paulo Freire (veja a coincidência...) que conversou e cantou sobre como tratamos a nossa raiz cultural em sala de aula. E finalmente,  como somos seres de corpo inteiro e a reflexão se dá por todos os canais, nada melhor que apreciar o Grupo Integrarte (espetáculo de dança por deficientes auditivos de São Bernardo do Campo)  e o grupo Barbatuques (www.barbatuques.com.br), nos mostrando que aprendemos sempre, por toda a vida, a cada dia, por diferentes suportes informacionais, construindo a dialética entre o indivudual e o coletivo, entre o silencio e som...
    Vale sempre a pena conversar sobre tudo isso...
     
    Eliane Candida Pereira  

     

    Encantamento, Reflexão, Ação... Encantamento

     

    Encantamento é a palavra chave para a visita às células temáticas no ENETI – Encontro Educacional de Tecnologia da Informação (16 e 17/06/2005, São Bernardo do Campo, SP), onde as crianças apresentaram projetos, a maioria de escolas públicas municipais, desenvolvidos nos Laboratórios de Informática, muitos  em parceria com as Bibliotecas Escolares Interativas, durante o segundo semestre de 2004, primeiro semestre de  2005...

    Reflexão é a palavra-chave para a participação nas palestras, oficinas, mesas redondas no ENETI... Registro aqui uma das minhas reflexões mais significativas, graças a  Professora Vera Barros de Oliveira, na mesa redonda realizada dia 16/06/2005:

    “Ler é compreender sistemas. Quando a criança não consegue viver o processo de representação simbólica de maneira prazerosa, seu corpo se desorganiza (déficit de atenção, hiperatividade, etc...) O computador pode tornar-se grande aliado no desenvolvimento: permite o trabalho com símbolos; trabalha-se usando ambos os lados, exigindo do cérebro plasticidade.Plasticidade neural é a base de toda organização simbólica e da aprendizagem. Atividades plásticas, cênicas e lúdicas devem-se somar a esse processo. As representações simbólicas passam a ser instrumento de organização para o professor . Nesse sentido, as rodas de conversa  após uma experiência, ampliam o universo das representações; significam passar de uma representação simbólica para outra: a linguagem. Há que se considerar que a historicidade se desenvolve na troca”

    Ação é a palavra-chave que guardarei da oficina que ministrei no ENETI (Música na Biblioteca?- 17/06/2005)... onde os participantes contribuíram para que eu reafirmasse a convicção de que a reflexão sobre a prática, aliada ao encantamento pelo ato de educar, é que nos levará, dia a dia, a buscar novas ações, até  sobre o que já é conhecido....

    Eliane Candida Pereira

    O desafio de usar a Internet como ferramenta educacional

    A Revista Nova Escola do mês de junho traz um artigo intitulado Internet: meu bem, meu mal (http://novaescola.abril.com.br/noticias/jun_05_3/index.htm ) com uma reflexão interessante sobre a preocupação de pais e professores ao disponibilizar a Internet para crianças.

    De acordo com o artigo, embora existam soluções práticas para controlar a “navegação das crianças com softwares específicos ou configurando os navegadores, nada pode substituir o diálogo e um acompanhamento mais próximo da navegação das crianças”. Mary Grace Martins, em discussão do grupo Vivência Pedagógica, comentando esse mesmo artigo, acrescentou que se o professor fizer a seleção de sites com o único objetivo de restringir a localização da informação, irá por conseqüência restringir as possibilidades de desenvolvimento dos procedimentos de pesquisa do aluno. Temos, portanto, uma questão importante ao ser levada em conta no planejamento de propostas de pesquisas escolares...

     

    É certo que não vamos simplesmente deixar que os alunos  se percam diante  das possibilidades de navegação, ficando na superficialidade dos assuntos, sem aprofundá-los e sem integrá-los. Porém é preciso considerar que a construção do conhecimento se dá ao filtrar, selecionar, comparar, avaliar, sintetizar, contextualizar o que é mais significativo.Por isso, toda proposta de pesquisa com alunos deve ter por objetivo  promover a autonomia  face à enorme quantidade e diversidade informacional do mundo contemporâneo, dedicando uma das etapas do projeto especialmente à busca de informações com um foco ou uma pergunta bem definida, em grupos de trabalho mediados pelo professor, bem como,  propiciando oportunidade de socialização das informações obtidas.

    Eliane Candida Pereira  

    TV, cinema, vídeo: há que se aprender a ler...

    Refletir sobre o uso de novas tecnologias na educação remete-nos sempre a perguntar como o educador incorpora a nova tecnologia em sua própria vida. Questão de tempo? Receio que não. Há tecnologias não tão novas assim, se compararmos com a velocidade da inserção dos novos canais atualmente, que até hoje não foram bem assimiladas pela escola enquanto objetos de conhecimento. Pensemos no cinema, na TV, no vídeo... Basta refletir sobre nossa própria experiência: que práticas, durante sua história escolar, foram oferecidas para que aprendesse a “ler” essas linguagens? Sim, porque a TV, o cinema, o vídeo são meios de comunicação com linguagens próprias, e não materiais de apoio às aulas, simples elementos motivacionais.

    TV, cinema, vídeo: há que se aprender a ler...

    Desse ponto de vista, não basta levar os alunos ao cinema como um passeio, ou apresentar um vídeo para substituir a fala do professor sobre um determinado assunto. É preciso propor a leitura reflexiva desses meios, com sua linguagem peculiar, sua manifestação cultural, bem como possibilitar o espaço da criação usando a mesma linguagem, extrapolando o papel passivo da recepção da imagem e do som. Soma-se a isso a possibilidade de criar o diálogo entre as diferentes mídias, comparando-se características e informações obtidas em cada uma delas. É preciso educar para se viver a ( e na) Sociedade da Informação, com toda a sua gama de produção cultural... Fica a pergunta: quanto a escola tem contribuído para que nossos alunos desenvolvam olhos e ouvidos para absorvê-las e processá-las, bem como mãos e mentes para criá-las e recriá-las?

      Eliane Candida Pereira

    Se quiser conhecer experiências diferentes com cinema, TV e vídeo na escola, acesse o site da Revista Nova Escola e leia o artigo publicado na edição de maio/2005 http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0182/aberto/mt_67469.shtml

    Professores Plugados

         Vivemos a chamada Era da Informação, um tempo conturbado que conjuga as mais avançadas descobertas tecnológicas, com a miséria, o desemprego, e ainda a falta de informação. Neste espaço tão paradoxal encontra-se o ser humano que tenta lidar com estas contradições em seu cotidiano. Ser cidadão hoje é fazer parte de um mundo que ultrapassa barreiras físicas e geográficas por meio do uso da Internet de acordo com as necessidades e demandas que é exigida de cada um, de modo a garantir um espaço nesta sociedade cada vez mais competitiva.

           Faz-se urgente que a escola ajuste-se a essa nova ordem. Diante desse novo contexto, a primeira medida seria o oferecimento de um computador a seus alunos e ensino dos procedimentos para sua utilização, certo? Errado É o velho mito de ver na novidade a salvação. 

           O simples oferecimento do acesso, de modo descontextualizado, sem uma equipe de educadores preparada para lidar com as diferenças, não é suficiente Ao considerar a aplicação do computador na Educação, ou qualquer produto tecnológico, é preciso ter claro que a aquisição de um conhecimento novo é mais do que o acesso a uma informação A escola não pode apenas oferecer a máquina e ensinar a usá-la, mas deve assumir a responsabilidade social de ampliar a atuação do ser humano frente a ela.

           No entanto, o desenvolvimento de projetos pedagógicos com essa concepção não nasce de um dia para o outro. . Junte problemas na formação inicial, à insegurança natural na hora de testar novos caminhos e descontinuidades administrativas, para perceber que não é em um curso de fim de semana que o professor renova sua prática.

           As teorias construtivistas da aprendizagem mostram que o conhecimento consiste numa reestruturação de saberes anteriores, mais que na substituição de conceitos por outros. Portanto, cabe a consideração de que o professor também é educando e pensando em sua aprendizagem profissional, precisa de estudo, leitura, planejamento e um trabalho coletivo de reflexão sobre a prática. Só assim passa a ser um professor plugado... e o computador passa a ser só um detalhe.  

       Eliane Candida Pereira